Mudança no Comportamento do Consumidor
Nos últimos anos, o comportamento do consumidor brasileiro passou por transformações significativas, especialmente em períodos de grandes promoções como a Black Friday. Essas alterações são resultado de uma combinação de fatores sociais, econômicos e tecnológicos. Em 2025, nota-se uma tendência crescente de um público mais cauteloso e crítico em relação às compras, especialmente diante de promoções agressivas. O consumidor atual, que antes se mostrava ávido por aproveitar ofertas, agora é mais seletivo e racional, considerando não apenas o preço, mas também a qualidade e a necessidade real do produto.
A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e a FIA Business School corroboram essa transformação, mostrando uma queda no índice de interesse geral nas promoções. Essa diminuição na disposição de compra é evidenciada pela comparação do índice deste ano com os anos anteriores, mostrando que quase 70% dos produtos analisados tiveram queda ou estagnação na intenção de aquisição. Esta mudança de comportamento não é apenas uma fase passageira, mas sim o reflexo de uma conscientização financeira crescente entre os consumidores, preocupados com suas economias e endividamentos.
Esses consumidores agora se apresentam mais bem informados e, portanto, menos suscetíveis a estratégias promocionais que exploram impulsos momentâneos. As marcas precisam se adaptar a essa nova realidade e repensar suas abordagens, focando em criar valor real para os clientes, em vez de se basear apenas em descontos.

Impactos do Endividamento no Consumo
O endividamento das famílias no Brasil alcançou níveis alarmantes, impactando diretamente o consumo e o engajamento durante eventos promocionais como a Black Friday. De acordo com dados recentes, em agosto de 2025, cerca de 48,91% das famílias estão comprometidas financeiramente com dívidas. Esse cenário não só limita a capacidade de compra, mas também gera uma desconfiança crescente no que diz respeito a promoções e ofertas.
Os consumidores endividados tendem a ser mais cautelosos, priorizando o pagamento de dívidas em relação a novas aquisições. Isso explica a queda do interesse nas promoções da Black Friday, que antes era um catalisador de vendas expressivas. Além disso, com a percepção de que muitos descontos podem ser falsos ou exagerados, a compra por impulso cede espaço a decisões mais racionais e fundamentadas nas necessidades reais da família.
O endividamento não só afeta o volume de compras, mas também altera as categorias de produtos que ainda são adquiridos. Produtos essenciais e serviços que priorizam o básico tornam-se mais relevantes em tempos de crise econômica, enquanto luxos e itens não essenciais geralmente ficam em segundo plano. A educação financeira, portanto, se torna um aspecto crucial tanto para consumidores quanto para varejistas, que precisam entender esses novos paradigmas do comportamento de compra.
A Percepção dos Descontos Falsos
A desconfiança em relação aos descontos oferecidos durante a Black Friday é um fenômeno que ganhou destaque nos últimos anos. O que antes gerava entusiasmo agora instiga ceticismo entre os consumidores. Muitas pessoas relatam a sensação de que os preços inflacionados antes do evento são apenas um truque para criar a impressão de desconto significativo. Este fenômeno é conhecido como “desconto falso”, que mina a credibilidade das promoções e torna os consumidores mais relutantes em comprar.
Estudos revelam que, após experiências ruins em anos anteriores, muitos consumidores se tornaram mais críticos quanto aos preços e ao valor das ofertas. As respostas negativas para promoções antecedidas por aumento no preço foi um fator determinante para a diminuição do envolvimento no evento. Além disso, essa desconfiança influencia a maneira como as marcas se comunicam, sendo imprescindível que as empresas seja transparentes sobre seus preços e descontos.
As marcas mais respeitáveis estão começando a se distanciar de práticas que geram dúvidas, engajando-se em uma comunicação clara e direta com seus consumidores. Elas enfatizam a honestidade em seus preços e a qualidade de seus produtos, criando uma base de confiança que pode compensar a desconfiança generalizada no mercado.
Os Desafios do Varejo em 2025
Com o cenário de transformação no comportamento do consumidor e a crescente conscientização financeira, o varejo em 2025 enfrenta uma série de desafios sem precedentes. As estratégias que antes funcionavam, como descontos massivos e promoções efêmeras, agora apresentam resultados limitados e, muitas vezes, contraproducentes. As empresas precisam se adaptar rapidamente para evitar perdas significativas e continuar sendo relevantes.
Um dos principais desafios é o próprio endividamento das famílias, que reduz o poder de compra e obriga os varejistas a repensarem seus modelos de negócios. Isso pode incluir a necessidade de diversificação nas linhas de produtos e serviços oferecidos. Ao invés de se concentrar exclusivamente em produtos de baixo custo, os varejistas devem considerar também itens premium e experiências que realmente agreguem valor ao consumidor.
Outro desafio crítico é a concorrência acirrada não apenas entre varejistas tradicionais, mas também com empresas de tecnologia e plataformas de e-commerce que estão dominando o mercado. Com a COVID-19 acelerando a transição para o digital, o varejo precisará cada vez mais integrar suas ofertas online e offline, buscando criar uma experiência omnichannel que atenda às expectativas dos consumidores.
Estratégias Eficazes para o Novo Mercado
À medida que navegamos por esse novo panorama, os varejistas precisam adaptar suas estratégias para se posicionar de maneira mais eficaz no mercado. Em vez de simplesmente competir em preços, devem se concentrar na construção de uma proposta de valor robusta que ressoe com as necessidades e expectativas dos consumidores. Uma das táticas mais eficazes envolve o uso de dados para entender o comportamento do consumidor.
A coleta e análise de dados podem proporcionar insights cruciais sobre tendências de consumo, ajudando os varejistas a se anteciparem às necessidades dos clientes. Além disso, investir em marketing digital pode ser uma solução eficaz, ampliando a visibilidade das marcas e tornando-as mais acessíveis ao público. Isso inclui o uso de redes sociais e influencers, que podem ajudar a criar um engajamento mais com a marca.
Focar no atendimento ao cliente é outra estratégia vital. Em uma era onde a informação está ao alcance de todos, um excelente atendimento pode ser um diferencial decisivo que gera confiança e lealdade à marca. Além disso, permitir que os clientes tenham experiências personalizadas e únicas com os produtos também pode aumentar a satisfação e as taxas de conversão.
Dados do Interesse nas Promoções
A pesquisa do Ibevar revela um panorama alarmante sobre o interesse do consumidor em promoções, especialmente em um evento tão significativo quanto a Black Friday. Em 2025, o índice de interesse geral caiu para 394 pontos, representando uma diminuição de 48,4% em relação ao pico de 764 pontos em 2019. Isso oferece um forte indicativo de que as táticas de promoção precisam ser reavaliadas.
Dentre os dados analisados, o estudo demonstrou que diversas categorias de produtos estão passando por mudanças drásticas em seu apelo. Itens como eletrodomésticos e eletrônicos, que eram frequentemente destaque nas promoções, mostram-se menos atrativos para os consumidores, refletindo índices de compra em queda. As marcas precisam entender essas mudanças para realinhar suas estratégias e se conectar de maneira mais eficaz com seu público.
A pesquisa também indica que, mesmo com uma ligeira melhora nas vendas de alguns itens, como roupas e decoração, isso acontece dentro de uma trajetória descendente, o que implica que o desafio permanece. A previsão é que o varejo precisará inovar e criar uma nova definição de valor para os consumidores a fim de reverter essa tendência negativa.
A Elevação das Taxas de Juros
Um dos fatores que mais impactaram o comportamento do consumidor e, consequentemente, o desempenho do varejo em 2025, é o aumento das taxas de juros. Em um cenário econômico desafiador, com a Selic atingindo níveis altos, as famílias se veem pressionadas a equilibrar suas finanças. Isso leva a uma retenção maior do consumo, já que a perspectiva de financiamento e crédito mais caros torna as compras menos atrativas.
As taxas de juros elevadas não apenas aumentam o custo do crédito, mas também reduzem a disponibilidade de renda discrecionária. Com um significativo percentual da renda familiar compromissada com dívidas, a margem para novas compras diminui radicalmente. Isso reforça a necessidade de que os varejistas se adaptem às novas condições financeiras de suas bases de consumidores, oferecendo modelos de pagamento que alinhem-se à nova realidade.
Além disso, a pressão inflacionária e a incerteza econômica ampliam a cautela dos consumidores. As famílias, cada vez mais, tendem a priorizar o pagamento de contas e a criação de reservas financeiras, em detrimento de atividades de consumo não essenciais, tornando as vendas durante a Black Friday mais desafiadoras.
O Futuro da Black Friday
Com as transformações já mencionadas, é evidente que a Black Friday também precisará evoluir em seu conceito e execução para se manter relevante. O futuro desse evento promocional pode ser moldado por múltiplas tendências que refletem a necessidade de um consumidor mais consciente. Eventos de compras terão que proporcionar mais valor além do simples desconto. Ofertas exclusivas, valorização de experiências e um melhor atendimento ao cliente podem desempenhar papéis fundamentais.
Uma outra mudança que se desenha é a redução do foco no uma única data. Para diversas marcas, promover uma série de mini eventos de vendas ao longo do ano pode ser mais eficaz do que concentrar tudo numa única data. Isso permite à empresa administrar o fluxo de estoque, além de se comunicar continuamente com os clientes e construir relações duradouras, ao invés de um somente vínculo pontual.
Ademais, a integração de tecnologias como inteligência artificial e realidade aumentada pode também reformular a experiência de compra, tornando-a mais interativa e personalizada. Isso pode ajudar a criar um senso de urgência e interesse, atraindo uma nova geração de consumidores dentro do espectro das promoções.
A Influência do Mercado Imobiliário
O mercado imobiliário tem efeitos significativos no comportamento de consumo em geral, incluindo eventos promocionais como a Black Friday. Em tempos de crise, a insegurança quanto à moradia pode fazer com que as famílias priorizem investimentos em bens duráveis, como casas e apartamentos, reduzindo seu dispêndio em bens de consumo menos essenciais. Isso se reflete nas tendências de consumo observadas durante épocas de grandes promoções.
Além disso, a alta nos preços dos imóveis e aluguéis faz com que as famílias comprometam uma maior parte de sua renda com moradia. Consequentemente, chega-se a uma redução do que sobrou para despesas não essenciais. Os consumidores também podem adotar uma postura mais conservadora, decidindo adiar compras até garantir uma estabilidade maior em suas finanças pessoais, o que impacta diretamente nas vendas durante a Black Friday.
Por outro lado, a valorização dos imóveis e a percepção de segurança patrimonial podem levar alguns consumidores a buscar alternativas de investimento, o que pode redirecionar o foco dos gastos durante promoções. Com isso, as ofertas devem ser vistas como uma oportunidade de aquisição de bens que agreguem valor ou que possam ser utilizados como investimentos.
Construindo Confiabilidade com o Consumidor
Para conquistar novamente a confiança do consumidor, as marcas precisarão se empenhar em construir relações mais transparentes e autênticas com seu público. Isso pode ser alcançado através de políticas de retorno mais eficientes, comunicação clara sobre preços e descontos, e um atendimento ao cliente efetivo. A personalização também pode ser uma ferramenta poderosa, pois permite que os varejistas ofereçam experiências únicas e adaptadas às necessidades de cada consumidor.
Empresas que priorizam a confiabilidade através da honestidade em suas práticas comerciais têm mais chances de criar laços duradouros com seus clientes. A educação financeira é outro aspecto a ser considerado, onde as marcas podem ajudar os consumidores a tomarem decisões de compra mais informadas, o que não só melhora a relação, mas também transforma a maneira como os consumidores percebem a marca.
Construir confiança não é uma tarefa rápida, requer tempo e consistência, mas é essencial para o sucesso a longo prazo. Em um mundo digital, onde a informação é abundante, a reputação de uma marca pode ser um diferencial decisivo para conquistar a preferência do consumidor e garantir vendas mesmo em tempos desafiadores. Assim, repensar estratégias de engajamento e construir uma base de confiança será a chave para a resiliência do varejo no ambiente complexo de 2025.

Estudante em Jornalismo, Especialista em Oratória e Redador do site revistaamora.com.br. Mãe de 3 gatos sou eterno conhecimento.

