No terceiro trimestre de 2026, o mercado de capitais brasileiro teve captações recordes, totalizando R$ 556,7 bilhões. No entanto, essa movimentação foi marcada por uma queda significativa nas captações de renda fixa, com um crescimento expressivo nas ofertas de ações e fundos imobiliários.
Movimentação do mercado de capitais
O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 556,7 bilhões em ofertas entre janeiro e setembro de 2026, representando uma alta de 5,3% em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme divulgado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Apesar desse crescimento, as captações em renda fixa observaram uma queda de 9,8%, refletindo uma mudança na preferência dos investidores.
O setor de renda fixa, embora ainda seja a principal fonte de financiamento das empresas, com R$ 441 bilhões captados, viu seu volume diminuir após dois anos de crescimento contínuo. Essa mudança pode indicar uma adaptação do mercado às novas condições econômicas.

Queda na renda fixa e crescimento em ações
Enquanto as captações em renda fixa caíam, outros setores mostraram um desempenho oposto. Os instrumentos híbridos, que incluem os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e os Fundos de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), registraram um crescimento impressionante de 126,3%, totalizando R$ 80,8 bilhões. A renda variável, por sua vez, movimentou R$ 34,8 bilhões, um aumento significativo em relação aos R$ 4,2 bilhões do ano anterior, impulsionado por ofertas subsequentes de ações e uma retomada nas ofertas públicas iniciais (IPOs).
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercados de Capitais da Anbima, destacou que essa diversificação nos instrumentos de captação demonstra a resiliência e adaptabilidade das empresas. Ele acredita que a mudança nos volumes captados reflete não apenas uma migração de preferências, mas também a resposta das companhias às condições de mercado.
Desempenho dos FIIs e instrumentos híbridos
Os fundos imobiliários se destacaram com captações de R$ 70,6 bilhões, um aumento de 114,3% em um ano. Essa alta é atribuída a uma combinação de captação direta de investidores e operações em que fundos adquirem ativos, resultando na transferência de cotas. Maranhão observou que, embora o volume total de captações pareça robusto, parte dele pode não representar dinheiro novo, já que a emissão de novas cotas para aquisição de outros fundos pode inflar as estatísticas sem necessariamente refletir um real crescimento no mercado.
Além disso, a captação no agronegócio por meio de Cédulas de Produto Rural Financeiras (CPR-Fs) alcançou R$ 11,8 bilhões, com um crescimento considerável de 202,7%. Os Fiagros também tiveram um desempenho notável, somando R$ 10,2 bilhões, o que representa um aumento de 274,7%. Em contrapartida, as emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recuaram para R$ 11,1 bilhões, uma queda de 62,3%, refletindo mudanças regulatórias que afetaram sua emissão.
Dinâmica no mercado de debêntures
No mercado de debêntures, as emissões de títulos incentivados e de infraestrutura alcançaram R$ 113,8 bilhões, enquanto as debêntures corporativas movimentaram R$ 99,9 bilhões. Apesar da queda geral de 18% nas emissões de debêntures, o mercado secundário registrou um crescimento de 5,8%, atingindo R$ 689 bilhões em transações. Dentro desse total, as debêntures corporativas representaram R$ 379,1 bilhões, uma ligeira queda, enquanto as debêntures incentivadas experimentaram um aumento de 20,7%.
César Mindof, diretor da Anbima, afirmou que o aumento nas negociações no mercado secundário reflete a maturidade e a resiliência dos investidores em ajustar suas carteiras em tempos de volatilidade, ressaltando a importância da liquidez no mercado para acomodar as mudanças nas condições econômicas.

Estudante em Jornalismo, Especialista em Oratória e Redador do site revistaamora.com.br. Mãe de 3 gatos sou eterno conhecimento.
