Cultura organizacional como diferencial competitivo
A cultura organizacional é um aspecto fundamental para a competitividade de uma empresa, especialmente em setores como o de alimentação, onde a retenção de talentos se torna crucial. O CEO da CraveWorthy Brands, Gregg Majewski, defende que a cultura é o único diferencial que não pode ser replicado pelos concorrentes. Em um mercado saturado, onde cardápios, operações e técnicas de marketing são facilmente imitáveis, a verdadeira essência da identidade de uma empresa se revela por meio de sua cultura.
Para Majewski, “cardápio, operação e tecnologia podem ser replicados em questão de meses, mas a cultura de uma empresa é inimitável”. Assim, empresas que valorizam e reforçam uma cultura organizacional forte conseguem não apenas diferenciar-se, mas também criar um ambiente onde os colaboradores se sentem valorizados e motivados a permanecer.
O impacto da rotatividade no setor de food service
A rotatividade de funcionários é um desafio recorrente no setor de food service. Dados da Abrasel indicam que a rotatividade nesse segmento ultrapassou 73% entre 2025 e 2026, levando a um cenário em que os colaboradores permanecem, em média, apenas 16 meses nas empresas. Essa alta taxa de turnover não só afeta a moral da equipe, mas também prejudica a eficiência operacional e a experiência do cliente.

Os operadores do setor estão cada vez mais cientes de que a gestão de pessoas precisa ser uma prioridade. Pesquisas apontam que 67% das empresas do setor consideram a gestão de pessoas como seu principal desafio, mesmo em um ambiente que inclui questões como vendas e marketing. A alta rotatividade, portanto, reflete não apenas a falta de mão de obra qualificada, mas também problemas estruturais na cultura e na gestão das empresas.
Como a remuneração influencia na retenção
A remuneração é um fator determinante na retenção de talentos, e Majewski acredita que as empresas devem estar dispostas a investir nesse aspecto, especialmente nos primeiros anos de operação. Ele afirma que abrir mão de margem de lucro temporariamente para garantir que a equipe receba salários competitivos é uma estratégia essencial para estabelecer uma base sólida.
“Nos meus primeiros cinco anos, não me preocupo em ter lucro. Se minha equipe for bem remunerada, estou construindo um motor que nunca vai parar”, explica. Essa abordagem não apenas melhora a satisfação e a lealdade dos funcionários, mas também contribui para a eficiência operacional, já que a saída de colaboradores leva à perda de conhecimento, treinamento e experiência.
A importância da liderança próxima na gestão de pessoas
A liderança é outro elemento crítico na formação de uma cultura organizacional forte. Majewski enfatiza que os líderes do setor devem se afastar das análises unilaterais de relatórios e focar nas interações diárias com suas equipes.
Ele sugere que “os primeiros dez minutos do dia devem ser passados no chão de fábrica”, enfatizando a importância de estar presente e consciente do que acontece nas operações diárias. Conhecer os colaboradores pelo nome e estabelecer um relacionamento próximo cria um ambiente de confiança e engajamento.
Majewski também acredita que grandes lideranças podem surgir entre os funcionários menos reconhecidos dentro das empresas. Dar oportunidade para essas pessoas se desenvolverem e crescerem é uma estratégia que traz retorno em dedicação e comprometimento.
Expansão e retenção: um equilíbrio necessário
A expansão é um objetivo comum entre muitas empresas, mas Majewski destaca que é preciso equilibrar esse crescimento com a retenção de talentos. Seu grupo, a CraveWorthy Brands, cresceu de maneira acelerada, atingindo mais de 300 unidades em pouco mais de três anos, e tem a meta de ultrapassar os US$ 650 milhões em vendas anuais.
No entanto, ele ressalta que “sem a retenção adequada, o crescimento pode se tornar ineficiente”. A integração de novos colaboradores demanda tempo e recursos, e a constante rotação de equipes pode prejudicar a qualidade do serviço e a experiência do cliente.
Tecnologia e apoio operacional na retenção de talentos
A CraveWorthy Brands se propõe a oferecer não apenas uma plataforma de operações, mas também tecnologia e suporte que permitam às marcas independentes prosperar. Com acesso a tecnologias e sistemas que, normalmente, seriam inviáveis, os negócios menores podem se concentrar no que realmente importa: a qualidade de seus produtos e serviços.
Essa estrutura centralizada permite que os restaurantes emergentes se beneficiem de uma rede de apoio, aliviando parte da carga que costuma ser um fardo para operações isoladas. Através da colaboração, as empresas podem compartilhar boas práticas e aprender umas com as outras, fomentando um ambiente de crescimento mútuo.
Programas de incentivo e bolsas de estudo para funcionários
Iniciativas como programas de bolsas de estudo para os colaboradores demonstram um compromisso com o desenvolvimento profissional e a valorização da equipe. A CraveWorthy Brands, por exemplo, investe em educação para seus funcionários, com programas que abrangem cursos de hotelaria e gastronomia.
Esses programas não apenas atraem talentos, mas também proporcionam uma visão de futuro dentro da empresa, mostrando que há espaço para crescimento e desenvolvimento. A presença de parceiros influentes e reconhecidos, como o ex-jogador de basquete Shaquille O’Neal na marca Big Chicken, ajuda a reforçar ainda mais o prestígio das operações e programas oferecidos.
Como conhecer sua equipe pode melhorar a operação
O conhecimento profundo da equipe é um dos pilares da gestão eficaz. Majewski enfatiza que os líderes precisam se familiarizar com aqueles que trabalham ao seu lado, entender suas motivações e desafios. Quando os líderes estão atentos e engajados no trabalho das equipes, eles conseguem identificar problemas e oferecer soluções que fortalecem todo o ambiente organizacional.
Essa prática não é apenas sobre supervisionar, mas também sobre construir laços de empatia e respeito, o que se traduz em melhorias no desempenho geral da equipe.
O papel da presença do líder no ambiente de trabalho
A presença física e emocional de um líder impacta diretamente a cultura do local de trabalho. Majewski acredita que a atuação dos líderes deve ser proativa, e que eles devem estar envolvidos nas operações diárias para perceberem as nuances que podem afetar a satisfação e a produtividade da equipe.
O fato de um líder permanecer visível e acessível contribui para um clima de transparência e confiança, aspectos fundamentais para o engajamento dos colaboradores.
Transformando desafios em oportunidades para retenção
Para superar os desafios de alta rotatividade, as empresas precisam não apenas reconhecer os problemas, mas também converter essas dificuldades em oportunidades. A cultura organizacional deve ser um reflexo das necessidades e desejos dos colaboradores, alinhando-se às perspectivas de mercado e às expectativas do cliente.
Investir na experiência do colaborador, desde a contratação até as oportunidades de promoção, pode resultar em uma equipe mais engajada e leal. Majewski conclui que cada aspecto da operação deve ser construído em torno do reconhecimento e do respeito pelos membros da equipe, o que, por sua vez, resulta em uma vantagem competitiva sustentável no mercado.

Estudante em Jornalismo, Especialista em Oratória e Redador do site revistaamora.com.br. Mãe de 3 gatos sou eterno conhecimento.


