Vendas no comércio têm 9ª alta anual seguida em 2025, mas ficam abaixo de 2024

Análise do Crescimento das Vendas no Comércio

As vendas do comércio varejista no Brasil, divulgadas no dia 13 de fevereiro de 2026, revelam um panorama relevante do acompanhamento econômico do país. Com um crescimento de 1,6% em 2025, esse foi o nono ano consecutivo de aumento, embora o percentual tenha sido mais baixo que o de 2024, que registrou um avanço de 4,1%. Este resultado ilustra as distinções entre diferentes segmentos do varejo, onde áreas que estão mais conectadas à renda dos consumidores mostraram um desempenho favorável, enquanto setores que são dependentes do crédito demonstraram pressões devido ao ambiente de juros elevados, que se mantêm em 15% desde junho do ano anterior.

Impacto dos Juros Altos nas Compras

A atual taxa de juros elevada tem contribuído para um ambiente de consumo restrito, afetando sobretudo os segmentos de mercado que requerem financiamentos. A política monetária contracionista tem resultado na diminuição da capacidade de compra da população, o que se reflete diretamente nas vendas do varejo, especialmente naquelas categorias de produtos com preço mais elevado, que frequentemente são financiados. Isso se tornou ainda mais evidente no setor de veículos e setores de bens duráveis, onde a dependência do crédito é maior.

Comparação com o Ano Anterior

Ao compararmos os dados de 2025 com os de 2024, nota-se uma desaceleração acentuada. A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE aponta que, enquanto o ano anterior teve uma performance mais robusta, os números mais recentes revelam um crescimento mais modesto. A desaceleração foi mais perceptível em segmentos que dependem de crédito, evidenciando a influência negativa das taxas de juros sobre esses setores.

vendas no comércio

Segmentos que se Saíram Bem

Embora muitos setores enfrentem desafios, alguns segmentos se destacaram com resultados positivos. O varejo restrito, que engloba categorias como alimentos e itens de primeira necessidade, apresentou resistência e, em alguns casos, crescimento de vendas. Em particular, itens com demanda constante foram menos afetados pelas flutuações econômicas e conseguiram manter uma trajetória de crescimento.

Desempenho do Varejo em Dezembro

O mês de dezembro de 2025 foi um período desafiador para o comércio, apresentando uma queda nas vendas de 0,4% em relação a novembro. Essa diminuição superou as previsões do mercado, que indicavam uma queda de apenas 0,2%. O comércio ampliado, que inclui segmentos como serviços, enfrentou uma redução ainda mais significativa de 1,2% nas vendas. Apesar desse retrocesso, os dados anuais mostraram um leve crescimento acumulado de 0,1%. Os números refletem um período de consumo mais cauteloso dos brasileiros, especialmente em um mês que normalmente apresenta forte atividade comercial devido às festividades de fim de ano.

Expectativas para o PIB e Selic

A análise das vendas do varejo traz implicações diretas para as expectativas em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e à taxa Selic. O crescimento moderado das vendas no varejo levanta preocupações sobre a expansão econômica geral, pois a atividade do comércio é um reflexo da saúde econômica do país. Para o PIB, as projeções variam, mas uma estabilização ou leve crescimento é esperada, levando em conta o cenário de contenção de consumo. Com relação à Selic, há expectativas de cortes nas taxas no futuro próximo, uma vez que a desaceleração da atividade econômica pode levar o Banco Central a ajustar sua política monetária a fim de estimular o crescimento.

Desafios Enfrentados pelo Varejo

O varejo enfrenta uma série de desafios, entre eles a alta dos juros que impacta diretamente o poder aquisitivo dos consumidores e, por consequência, suas decisões de compra. Produtos considerados essenciais e de baixo custo, que normalmente mantêm uma demanda estável, viram um foco, mas mesmo assim o comércio ampliado lidou com recuos significativos. Outro desafio relevante é a pressão inflacionária, que continua a ser um fator complicador no planejamento de compras das famílias brasileiras.

Perspectivas para 2026

Para 2026, as expectativas são de que o varejo siga sob uma faixa cautelosa. Economistas preveem que a recuperação dependerá de fatores como a recuperação da renda real das famílias e possíveis intervenções fiscais do governo. Assim, a continuidade de programas federais e medidas de incentivo ao consumo podem desempenhar um papel crucial na revitalização do comércio. Contudo, o impacto das taxas de juros ainda deve ser um fator predominante nas movimentações do mercado.

Como o Mercado de Trabalho Influencia as Vendas

A dinâmica do mercado de trabalho é um fator determinante para a performance do consumo. Com a taxa de desemprego em níveis relativamente baixos, as famílias têm visto um aumento na sua renda real, que é um ponto positivo. Isso acaba contribuindo para um ambiente mais favorável para a recuperação do consumo, especialmente em setores mais ligados ao dia a dia das pessoas.

Influências da Política Monetária no Consumo

A política monetária aplicada pelo Banco Central tem um impacto profundo no comportamento dos consumidores e de todo o setor varejista. Taxas de juros elevadas tendem a restringir o crédito e desestimular compras, especialmente em segmentos que dependem fortemente do financiamento. Por outro lado, uma abordagem mais amigável em relação à taxa Selic poderia fornecer um impulso positivo, facilitando o acesso ao crédito e encorajando os consumidores a aumentar seus gastos, algo vital para a continuidade do crescimento no varejo.