ZACK MAGIEZI | Poesia nossa de cada dia

Por Deborah Peleias

Ele é sucesso nas redes sociais com as suas pílulas de poesia sobre relacionamentos, o que lhe rendeu mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e outros 600 mil no Facebook. Ele é Zack Magiezi.

POR DEBORAH PELEIAS

Zack, que já esteve em Rio Claro a convite da revista AMORA, conta que começou a escrever “despretensiosamente depois do fim de um relacionamento amoroso, e como sempre fui alguém cercado pelos livros isso foi muito natural quando eu precisei me expressar usando as palavras para este fim. Foi uma espécie de terapia para mim, ver do lado de fora o que estava do lado de dentro”.

Ao expor seu lado de dentro por meio de postagens, Zack conquistou uma legião de fãs, entre pessoas “normais”, pessoas “famosas”, artistas e influenciadores digitais. E tudo isso também aconteceu em sua vida despretensiosamente. “Nunca tive essa intenção”, ele diz. “No princípio, eu não assinava os meus textos. A ideia de criar uma página na Internet foi para ser uma espécie de arquivo, e percebi que os textos começaram a tocar algumas pessoas, pois são temas muito humanos etc. Acho muito engraçado isso porque as coisas que eu não planejei sempre deram ‘certo’, foi engraçado e ainda é ver pessoas superfamosas interagindo com as minhas palavras, mas no fundo sempre estou um pouco alheio a isso todo.”

Sobre o impacto da pandemia em sua vida, assim como aconteceu para todos nós, Zack, diz que “foi um ano bem complicado em muitos aspectos, financeiramente, emocionalmente, fomos arrancados daquilo que sempre consideramos uma certeza, a rotina, o dia ‘comum’, e não sei se isso voltará, se as coisas voltarão a ser como antes, mas acredito na capacidade de adaptação da espécie. Também afetou bastante a temática dos meus textos a ideia do enclausuramento. No começo do ano, eu tinha colocado 2020 como um ano de descanso, principalmente das redes sociais, e tenho postado textos antigos, mas o que eu tenho escrito está cheirando a 2020, não sei se isso é bom ou não”.

Fechados em nossos mundos pessoais neste ano absurdamente incomum, os poemas de Zack continuam sendo as nossas pílulas poéticas que alimentam a alma, e nos faz ter esperança no futuro. Zack aproveita esta oportunidade para responder a perguntas de algumas leitoras da AMORA, e que são principalmente suas fãs.

Quem é sua musa inspiradora de Notas sobre Ela?

Janaína Lima

Acho que todas as mulheres que cruzaram o meu caminho, minha mãe, irmã, avós, tias, namoradas, casos etc. Tudo o que me atravessou, tem muitas lembranças minhas também. Notas sobre ela foi uma fotografia, que registra, mas no fundo, conserva o mistério.

Você já passou por algumas situações na vida para servir de inspiração para escrever, ou na maioria das vezes você se inspira em histórias de outras pessoas?

Ana Clara Bertin

Em um primeiro momento, os meus textos foram quase todos biográficos, sobre a minha vida, minha dificuldade de enquadramento, a sensação de estar deslocado etc.; ainda é assim, mas percebi que as histórias que escuto também são partes de mim. Já escrevi alguns poemas sobre histórias que escutei, sobre conversas que tive. Isso é muito interessante, é um aspecto totalmente novo.

O que o motiva escrever? Já que a leitura é algo tão desvalorizado em nosso país! A nossa cidade mesmo não tem uma livraria!

Suellen Vanin

Fico muito triste por isso, pois uma livraria é um lugar poderoso, transformador e deslumbrante. Acho que a escrita se tornou uma necessidade orgânica como comer, dormir e andar. É quase como poder construir uma nova voz, uma voz que consegue falar coisas que eu não consigo, ficar perdido dentro de uma palavra, respeitar a página em branco, desafiar os mesmos temas com abordagens diferentes. Acho que a escrita se tornou uma grande coluna de sustentação do meu ser.

Como superar a dor do fim?

Rafaela Locali

Não acredito na ideia de superação como encerramento; nada tem fim, as histórias continuam acontecendo dentro de um outro tempo, e nós também somos frutos dessas histórias, mas acho que com o tempo há cicatrização, pois somos feitos de dores e deslumbres. Vamos lembrar, vamos sonhar, vamos doer; isso é a vida em sua beleza plena. Todas as histórias que vivi estão aqui.

Se você pudesse fazer três pedidos para um gênio da lâmpada, quais seriam?

Juliana Cibim

Morrer sem dor, conseguir abrir uma casa poética com eventos, sebo, saraus, teatro, e fazer com que a maioria das pessoas valorizem a arte.

Teu processo de criação foi bloqueado nesta quarentena? Ou se sentiu mais inspirado a escrever?

Pollyanna de Lima Campos

Tenho escrito bastante. Com o tempo, percebi que escrever é um hábito semelhante a caminhar, tenho ido a lugares novos, o isolamento, o medo, perder um dia normal são temas que estão aparecendo na minha escrita; somos frutos do nosso tempo.

Zack, acompanho seu trabalho e aprecio muito... O seu livro Notas sobre Ela é incrível. A sua alma tem muita sensibilidade no que tange o universo feminino. Você não tem vontade de escrever um outro livro nos contando um pouco sobre “notas sobre ele”?

Ariana Bellotto Correa

Acho que todos os outros textos são pequenas notas, principalmente os textos que estão nas redes sociais, pequenas anotações reparos etc. Na verdade, a poesia tem de encostar no real, é um recorte muito parecido com a fotografia. Eu estou em todos os meus textos; é uma maneira de ficar aqui quando os meus olhos se tornarem noite.

Você acredita que quem lê os seus poemas conseguiria definir a sua personalidade? Ou seja, as suas escritas falam sobre as suas histórias, sonhos, desejos, sobre você e seus próprios pensamentos? Sempre tive essa curiosidade de saber se poetas escrevem sempre pensando em si, nas suas próprias vivências ou desejos.

Juliana Gutierrez Camargo

Acho que o poeta vai escrevendo sobre si mesmo sempre, tudo o que atravessa, está tudo ali, simples, direto e florido. Acho que isso diferencia os poetas dos escritores ficcionistas, por exemplo, fraturas expostas, acho isso muito bonito e humano, principalmente em uma sociedade repleta de “vencedores” que buscam uma perfeição plastificada da vida.

Qual a sua inspiração para escrever e quando percebeu que queria ser poeta?

Rafaella Paseto

Acho que nunca percebi, é como o nosso o nome que nos foi dado sem a gente escolher. Poeta é apenas um nome, o mais bonito na minha opinião.

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