VIVA, NÃO FAÇA TURISMO!

Por Deborah Peleias
POR DEBORAH PELEIAS

A propaganda do Airbnb com o slogan “sinta-se como se vivesse lá” me inspirou em minha última viagem. E foi o que fiz em Portugal. Me senti uma verdadeira lisboeta usando metro, comboio, elétrico, táxi, Tuc-Tuc e caminhando muito, subindo e descendo as sete colinas de Lisboa, as do Porto e de Sintra como se estivesse no plano. Saí do lugar comum e conheci lugares incríveis, mercados, monumentos pouco visitados, e até aqueles obrigatórios em qualquer roteiro turístico, tascas e pubs. O que ficou em mim foram lembranças felizes, aromas, sabores e um desejo de poder viver lá, afinal dormir e acordar ao som do Tejo quebrando na areia não tem preço! Então, minha sugestão para quando for visitar Lisboa e seus arredores é que não deixe de…

… provar os “únicos” Pasteis de Belém

Apreciar o verdadeiro pastel de nata da Pasteis de Belém e indescritível. Verdadeiro e único. Qualquer padaria e pastelaria comercializa os pasteis de nata, mas não se comparam. Acompanhe com expresso, abatanado (um café mais fraco) ou chá, e devem ser degustados com canela e açúcar por cima. A Pasteis de Belém fica na Rua de Belém nº 84 a 92, próximo ao Mosteiro dos Jerônimos. As filas são bem grandes, mas não se intimide: vale a pena provar pelo menos uma vez na vida essa massa folhada recheada com creme de nata. A fabricação desse doce típico da doçaria portuguesa começou em 1837 seguindo uma antiga receita do Mosteiro dos Jerônimos, e até hoje são produzidos artesanalmente. As fornadas dos mestres do local saem aos montes da chamada “Oficina do Segredo”. Sim, a receita é secreta e registrada!

… se deliciar com peixes, frutos do mar e vinhos

Como a gastronomia portuguesa é à base de peixes, frutos do mar e carne de porco. A comida em geral é bem em conta se compararmos com os preços do Brasil, principalmente o bacalhau. Então, aproveite para experimentar as típicas bacalhoadas e tomar muito vinho, pois todos os portugueses são muito bons. Uma das receitas mais famosas é o bacalhau a lagareiro, em que o bacalhau é grelhado e acompanhado por batatas ao murro, pimentões, brócolis, cenouras, azeitonas e feijão fradinho. A bacalhoada da foto custou 15 euros – duas grandes postas de bacalhau e uma jarra de vinho.

… passar uma tarde, uma noite no Mercado da Ribeira/Time Out Market

O antigo mercado da Avenida 24 de Julho em Lisboa passou por um projeto de revitalização em 2014 com um conceito bem inusitado, chamado de projeto editorial 3D: a revista Time Out ganhou o concurso público em 2010 e transformou o espaço em um ponto de gastronomia e cultura efervescente, a qualquer hora do dia. O Time Out Market é o primeiro mercado do mundo onde tudo foi escolhido, provado e aprovado (com 4 ou 5 estrelas) por um grupo de críticos e os jornalistas da Time Out. São 24 restaurantes, oito bares, mais de uma dezena de espaços comerciais e uma sala de espetáculos, tudo com o melhor de Lisboa (o melhor bife, o melhor hambúrguer, o melhor sushi e os melhores shows), além de lojas de carne, peixes, conservas, produtos editoriais de autores portugueses, frutas e flores mais antigos da cidade. No total, são 500 lugares para sentar em mesas comuns – isso mesmo, longas mesas com bancos, para você confraternizar com as pessoas. E o projeto deu muito certo, dando uma nova vida à região do Cais do Sodré. Esse conceito que a revista Time Out Portugal implantou no Mercado da Ribeira será replicado pelo Time Out Group em todo o mundo, inicialmente em Londres e Nova York.

O Mercado da Ribeira foi inaugurado em 1º de janeiro de 1882 e tem cerca de 10 mil m² de área coberta. Em junho de 1893 um incêndio destruiu uma parte da construção, e por isso passou por várias reformas e ampliações. A atividade de comércio no atacado foi abandonada, ficando apenas os lojistas de varejo em 2000. No ano seguinte, um novo piso foi construído e houve a inauguração de um restaurante e duas lojas de artesanato, e daí nasceu sua vertente cultural e recreativa.

… conhecer a moderna LX Factory

Esse local é uma das grandes surpresas da viagem. Uma construção de 1846 em Alcântara era a sede da Companhia de Fiação e Tecidos Lisbonense, um dos mais importantes complexos fabris de Lisboa, com 23 mil m². Posteriormente foi ocupada pela Companhia Industrial de Portugal e Colônias, tipografia Anuário Comercial de Portugal e Gráfica Mirandela. Nesse ambiente fabril, com suas ruelas e grandes armazéns se abre um mundo de possibilidades, de restaurantes, bares e baladas a lojas de design, pintura, urban pet shop, livraria, sem falar na feira de produção rural que acontece aos domingos, a LX Rural. A revitalização foi promovida em 2005 pela empresa imobiliária Mainside, que comprou o terreno e preservou suas características originais. Se você gosta de se surpreender, a visita é obrigatória! Endereço: Rua Rodrigues de Faria nº 103.

… caminhar no calçadão à beira do Tejo

O esplendor do Rio Tejo deve ser apreciado de perto, muito perto. E tanto os portugueses como os turistas aproveitam o longo calçadão à beira-rio para fazer suas caminhadas ou simplesmente relaxar ao sol. Nesse calçadão encontram-se vários monumentos históricos de Lisboa, como o Monumento aos Descobrimentos, a famosa Torre de Belém, o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) e o Museu do Combatente, dentre outros. Há cafés e food trucks para hidratar e energizar o corpo para a caminhada, que pode ser feita em menos de uma hora com direito a paradas e selfies.

… da beira-rio andar pela Rua Augusta

Assim que chegar na Praça do Comércio pelo calçadão à beira do Tejo, atravesse a grande praça em direção ao Arco da Rua Augusta, que além de bonita e charmosa, é a maior concentração de restaurantes, bares e lojas famosas de Lisboa. É na Rua Augusta, no número 106, que encontrei o melhor “bolinho” de bacalhau: na Casa Portuguesa dos Pasteis de Bacalhau (sim, o nosso bolinho é pastel em Portugal!). O pastel vem recém-frito – em Portugal, os salgados são consumidos à temperatura ambiente, ou seja, frios – e é recheado com o famoso queijo Serra da Estrela, derretendo deliciosamente… Inigualável!

A Praça do Comércio, localizada na Baixa de Lisboa, região que foi o local do palácio dos reis de Portugal durante cerca de dois séculos e que atualmente sedia alguns departamentos governamentais, é um dos locais mais importantes para os lisboetas, e é coroada pelos Arcos da Rua Augusta. Majestosa, é uma das maiores praças da Europa, com cerca de 36.000 m².

Da Rua Augusta vá até a Praça D. Pedro IV, no Rossio. Nessa praça, me encantei com a loja Mundo Fantástico da Sardinha Portuguesa, no nº 39-41.Na primeira vez que passei por lá, olhei a vitrine, mas não percebi que era uma loja de conservas, especificamente sardinhas em lata, porque há um grande carrossel em sua decoração interna, que é toda em luzes coloridas, lembrando um inusitado parque infantil. O único produto vendido é a sardinha em lata, com um detalhe: as latas têm estampados os anos a partir de 1916 até 2017, com um acontecimento de relevância do ano e o nascimento das personalidades mais importantes, como a lata de 1960 com o nascimento de Ayrton Senna. É óbvio que algumas latas vieram na mala.

… conhecer o Parque das Nações

A Exposição Mundial de 1998 (ou Expo 98) foi um marco transformador de Portugal, que entrava em uma nova fase, e a herança é o Parque das Nações, banhado pelo Tejo e uma ode à modernidade. Lá há atrações como oceanário e um modernosos shopping center, e a região tem muita atividade noturna, como um lindo cassino. Mas o que mais me encantou foi a Gare Oriente, projetada pelo arquiteto catalão Santiago Calatrava, o mesmo que projetou o Museu do Amanhã, do Rio de Janeiro. A Gare é um terminal multimodal com trem, ônibus e metrô, e se destaca na paisagem pela cobertura metálica em forma de exoesqueleto da plataforma de trens. À noite, a visão é deslumbrante.

NA SEMANA QUE VEM CONTINUO A MOSTRAR MAIS SOBRE PORTUGAL!

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