BON APPETIT | A gastronomia presente nas viagens de Cassiana Brumati

Por Cassiana Brumati

Por Cassiana Brumati

Viajar é um presente para a alma, e muitas vezes também para o estômago. Conhecer um novo lugar ou revisitá-lo e desfrutar de seu sabor são experiências das mais prazerosas que se pode ter, mas para isso acontecer você deve estar disposto a deixar de lado alguns hábitos e paladares preestabelecidos. Quantas vezes ouço amigos ou conhecidos que chegaram de viagem reclamando que a pizza da Itália não era tão boa assim, que o bacalhau de Portugal deixou a desejar ou que nos Estados Unidos come-se muito mal, e eu fico pensando: será que você se doou a essa comida? Pesquisou um pouco sobre aquela cultura gastronômica? Estava disponível para experimentar uma pizza diferente do seu delivery habitual? Com menos queijo, com mais massa, com mais molho? Certa vez em uma livraria, passeando, dei de cara com um livro que chamava “só os patetas comem mal na Disney” e isso me abriu a mente… pois se se pode comer bem na Disney, imagine na Itália! Quando viajo já começo a sentir os sabores novos da minha casa; adoro pesquisar os estabelecimentos que quero conhecer e seus pratos típicos, suas sugestões e tudo o que aquele lugar pode me oferecer gastronomicamente, e nem sempre é o mais bem cotado ou o restaurante que tem mais estrelas são os que mais me interessam. Levar uma listinha de restaurantes é quase um vício para mim, mas ignorar os pequenos lugares descobertos no caminho seria também um pecado. Para mim o ideal é unir a pesquisa de casa com a conversa na recepção do hotel, ou pessoas que cruzam seu caminho durante a viagem, o que normalmente é o melhor caminho para a alegria estomacal. Recentemente, fui para Mendoza; foi uma viagem incrível, cheia de conhecimento e muuuuito Malbec, e de novo minhas teorias se confirmaram. As degustações nas vinícolas são uma experiência que devem ser vividas; os almoços harmonizados também nos agradaram muito. Almoçamos na Chandon e Zucardi com vistas maravilhosas e vinhos bem interessantes; comer um ojo de bife com vista para a Cordilheira dos Andes, fala sério, é de alegrar qualquer olho ou boca. Mas ao andar pelas ruas de Mendoza encontramos um restaurante pequeno, com cara de bistrô, que nos fez sentir em uma casa argentina. Tomando um vinho nada conhecido ou caro, deixando os rituais de degustação de lado, nos sentimos verdadeiramente de férias e inseridos no contexto da cidade, a sensação de liberdade gastronômica foi outra, mais leve e relaxada. A busca pelo restaurante ou pela refeição perfeita não deve ser uma gincana, uma disputa pelo melhor; percebemos mais uma vez que o sabor vem de dentro para fora, vem do cozinheiro para o cidadão comum. Quando não procuramos por estrelas o céu se mostra ainda mais belo. 

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