OUTUBRO ROSA | Fabiana Gasparoto | Amigas, se amem, se cuidem, se toquem!

Por Deborah Peleias

A gente não gosta nem de pensar, mas falar sobre o câncer deve pontuar a vida de todas as mulheres, o tempo todo, e não apenas durante o Outubro Rosa – que, claro, foi criado para alertar as mulheres da necessidade do autoexame na prevenção.

FOTOS:   DIEGO OCANHAS  |  FOCCUS FOTOGRAFIA        TEXTO: DEBORAH PELEIAS

Em termos de números de câncer de mama, o Instituto Nacional de Câncer estima que em 2020 ocorrerão 66.280 novos casos entre as mulheres brasileiras, com aproximadamente 17.572 óbitos, um crescimento de 16,4%. Apenas no estado de São Paulo, a estimativa é de 78,19 casos para cada 100 mil mulheres. Os tipos de câncer mais comuns nas mulheres são o de mama, colorretal, de colo de útero, de pulmão e do estômago. Além de todo o processo para se detectar o câncer, todos têm uma coisa em comum: afetam não só o doente, mas todos à sua volta, principalmente os filhos pequenos. E para saber conviver com a doença com bem-estar, o diagnóstico precoce é muito importante, porque buscando a cura precocemente, o óbito deixa de ser um fantasma que atormenta cada pensamento de quem é diagnosticado. Passar por todo o processo de tratamento é uma luta diária, e devemos acreditar que pode ser vencida. É essa mensagem que Fabiana Maria Alves Gasparoto, a Fabi, gerente de contas de indústria farmacêutica, nos passa nesta entrevista. Aos 39 anos, ela descobriu um nódulo no seio, e a confirmação do câncer foi um choque. E o que veio depois? Descubra a seguir.

Como e quando descobriu o câncer de mama?

No banho, senti um nódulo; ele era bem rígido e estava dolorido. A princípio, achei que não fosse nada importante, conversei com algumas pessoas que me disseram que não deveria ser nada, mas continuei observando. Aproximadamente um mês depois, percebi que ele estava crescendo, a dor aumentou e começou a sair um líquido com uma consistência espessa da minha mama. É importante dizer que muitas mulheres não sentem dor, e por isso é preciso se conhecer para ao primeiro sinal de algo diferente procurar um especialista. Procurei um mastologista, e aliás vale ressaltar que foi muito atencioso e fez questão de investigar o meu caso com exames que são essenciais para um diagnóstico preciso. Em dois meses recebi o diagnóstico de câncer de mama. Fui ao médico no início de maio deste ano, em 27 de julho recebi o diagnóstico e no dia 21 de agosto fiz a minha primeira quimioterapia!

Qual foi a sua reação à notícia?

Foi bastante impactante. Num primeiro momento, pensei que iria morrer! A palavra câncer é muito forte, e inevitavelmente associamos à morte. Mas depois de conversar com o meu médico, entender as possibilidades de tratamento e cura, depois de ler sobre a doença, e ver relatos de pessoas que já passaram por isso e hoje estão curadas, comecei a mudar a minha forma de pensar em relação à minha situação. Nesse processo, a forma como pensamos e agimos sobre a doença faz toda a diferença no sucesso do tratamento. É muito importante se manter positiva e se apegar em Deus para passar por tudo de uma forma mais leve. Não é fácil, mas é possível ser feliz durante o tratamento. E escolhi ser feliz mesmo diante de tudo.

Por quais tipos de tratamentos você está passando?

Estou fazendo quimioterapia; já foram quatro ciclos das vermelhas e iniciarei os ciclos das brancas em breve, num total de 12 sessões. Após a quimioterapia, passarei por cirurgia para retirada das mamas e reconstrução. Existem vários tipos de tratamento de acordo com o tipo de câncer e estágio da doença. Eu fui diagnosticada precocemente graças a Deus, e por isso as chances de cura são altíssimas.

Como você enfrenta as incertezas desse momento?

Na verdade, depois de passar o susto e entender o tratamento, não tive mais incertezas, eu só tenho a certeza de que Deus já me enviou a cura e que em breve tudo isso passará. O que tenho enfrentado são os sintomas do tratamento, e tenho tentado ser o mais positiva possível, com fé em Deus e com muita oração.

Como é a sua relação com você mesma, com a família e com os amigos?

A minha relação, que já era boa, está maravilhosa. Meu marido, família e amigos estão me mimando muito (rsrs… e eu estou adorando essa parte), mas a presença e apoio dessas pessoas que eu amo muito tem sido fundamental em meu tratamento, principalmente porque nem todos os dias são bons, os sintomas pós-quimioterapia são muito ruins, mas eles sempre estão por perto tentando me animar e me fazer esquecer de alguma forma o que estou sentindo! Eles fazem questão de me dizer o quanto estou linda careca, de reforçar a força que tenho para enfrentar esse obstáculo, e se fazem presentes o tempo todo, seja por telefone, WhatsApp, redes sociais, pessoalmente; de alguma forma estou recebendo muita atenção sempre.

Você faz algum tipo de terapia, exercícios físicos, meditação, para fortalecer o corpo e o espírito?

Sim, faço várias coisas que estão me ajudando muito durante o tratamento. Faço acupuntura e reike semanalmente, terapia de florais, drenagem linfática duas vezes por semana, caminhada três vezes por semana, e faço extensão de cílios e micropigmentação nas sobrancelhas para me sentir linda mesmo sem cabelos. Ahh… e continuo trabalhando (em home office) para me manter ativa, em contato com as pessoas, e esquecer que há algo de errado com a minha saúde. Aliás, trabalhar me faz muito bem.

Qual a sua mensagem para as leitoras da AMORA?

A minha mensagem é: não espere o mês de outubro para se tocar, o autoexame precisa fazer parte da sua rotina, assim como manter uma alimentação saudável, praticar atividade física e administrar o estresse do dia a dia. Você pode prevenir o câncer com essas pequenas mudanças. Câncer de mama tem cura se diagnosticado precocemente. Então, amigas, se amem, se cuidem, se toquem.

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