JESSA & IASMIN | A força da mulher com suor, lágrimas e vitórias dentro do tatame

Por Luis Bertin

As mulheres vêm mostrando cada vez mais força e potencial no mundo do esporte, mas o que não sabemos é o quanto elas batalharam para conquistar não apenas medalhas, mas o prazer que o esporte proporciona. Em cada treino, cada campeonato, cada vitória que chega com sacrifício se torna a realização do que foi plantado desde criança. Histórias de superação e conquistas são as melhores que a AMORA gosta de contar e, nesta edição especial de aniversário, a inspiradora vida de duas atletas: Iasmim Casser  e Jessa Khan que, hoje, moram nos Estados Unidos e nos contam como foram os dias difíceis até chegarem ao tão sonhado ouro!

IASMIM CASSER

Natural de Rio Grande, RS

Modalidade atual Jiu Jitsu

Título: campeã mundial de Muay Thai, profissional de MMA 1-0, campeã mundial de Jiu Jitsu com kimono e sem kimono

Quando o esporte entrou em sua vida e o que ele significa para você?

O esporte entrou na minha vida inicialmente por meio da arte. Aos 14 anos, eu havia saído de casa para ter a oportunidade de estudar, e a forma com que me sustentava era por meio de aulas de música para crianças, quando acabei fazendo parte da trilha sonora em espetáculos de um grupo de teatro e circo na cidade de Pelotas (RS). O circo exigia treinos intensos e habilidades além da música, sendo a minha primeira experiência com um “esporte”. Dois anos depois, a convite de um amigo, fui parar em uma aula experimental de Muay Thai, o que seria o início da minha aventura nas artes marciais, e que significou a abertura de uma porta para um mundo a parte dentro da minha mente. Um mundo, digamos, nada convencional e de certa forma mágico, muitas vezes tão abstrato quanto a própria arte. Não pude resistir à tentação de tomar esse caminho, cheio de sonhos, desafios, superação e autoconhecimento. 

O Jiu Jitsu foi seu primeiro esporte de competição?

O Muay Thai foi meu primeiro esporte de competição. Com cerca de dois meses de treino, aos 16 anos, comecei a competir e fui campeã brasileira e campeã mundial na Tailândia. Foi quando quis migrar para o MMA e, consequentemente, conheci o Jiu Jitsu. 

Já há muito tempo o Jiu Jitsu deixou de ser um esporte masculino; você enfrentou algum tipo de preconceito ou impedimento para iniciar nessa arte marcial?

Eu acredito que ainda há preconceito em todas as áreas da sociedade. Quando comecei, tenho certeza que muitos dos meus amigos e até a minha própria família não viram isso com bons olhos. Mas para ser sincera, nunca nem mesmo prestei atenção, apenas mantive os meus ideais e objetivos sem olhar para os lados ou mesmo considerar o que a sociedade impõe ou não. Se a sua mente é forte, nada pode abalá-lo. 

Quando sentiu que podia alcançar um nível mais profissional?

Mesmo após ter sido convidada a treinar na Art of Jiu Jitsu, que considero a melhor academia de Jiu Jitsu do mundo, eu ainda não sentia que estava à altura de tamanha oportunidade. Foi com a orientação do professor Guilherme Mendes que enxerguei nos meus resultados o merecimento do qual eu ainda não estava convicta. As inúmeras medalhas de ouro falaram por si só: eu estava pronta. 

Como é sua rotina de treinos e cuidados com a saúde?

Minha rotina de treinos é bastante intensa, com foco no turno da manhã e tarde. Disciplina é a palavra chave para adquirir tudo na vida, trabalho duro.  Quando se aproximam as grandes competições, a intensidade aumenta, e o cansaço é extremo. É quando, mais do que tudo, além da disciplina, é preciso ter uma mente bem treinada e consciente. Com o tempo que sobra, muitas vezes o cansaço é tanto que você não tem vontade de fazer absolutamente nada, mas em contrapartida tenho me esforçado na busca por meios de aliviar a pressão com outras atividades, como música e leitura.  Quanto à saúde, esta muitas vezes fica em segundo plano, e acabamos indo muito além dos limites do nosso corpo para alcançar os nossos objetivos, a qualquer preço. Apesar de tudo, sempre me esforço no cuidado com a prevenção de lesões e com a alimentação. 

Seus treinos têm orientações de alto nível, como e por quem eles são ministrados?

De verdade, as minhas maiores inspirações e literalmente os reais responsáveis pela minha ligação com o Jiu Jitsu hoje são indiscutivelmente os irmãos Mendes, que ao mesmo tempo são meus orientadores nesse caminho. Na minha opinião, o Jiu Jitsu que eles ensinam é o mais limpo e eficiente do mundo, o mais próximo que é possível chegar da arte.

Qual seu conselho para quem pretende e sonha com uma vida em nível competitivo?

Meu conselho é sempre olhar para aqueles que já chegaram onde você quer chegar, por meio do caminho certo, o que não significa que nesse caminho não tenham havido falhas, mas, ao contrário, que as falhas deles o lembrem que são humanos também, que se aprenda com elas como contornar ou evitar os frequentes obstáculos que certamente surgirão, sem nunca “passar por cima” de ninguém ou agir de má-fé. Ter os exemplos certos para seguir, mesmo que eles não façam ideia de quem você é, ter a certeza de que são de carne e osso assim como você, sentem a mesma dor e a mesma frustração que você sente, e se chegaram lá você também pode, se estiver disposto a fazer tudo que for necessário para isso.  Durante o caminho, ter paciência e entender que grandes coisas levam tempo para serem construídas e nem sempre dão certo na primeira tentativa. Se alguém ao seu redor conseguiu antes de você, fique feliz com o êxito alheio. Não se compare ou alimente sentimentos ruins, cada pessoa tem o seu tempo, foque em si mesmo. Se você continua sempre avante, visando ser um pouco melhor a cada dia e trabalhando em prol disso com entusiasmo, eventualmente você alcança. 

JESSA KHAN

Natural de Rockport, Texas (EUA)

Atleta de Jiu Jitsu, quatro vezes campeã mundial, três vezes campeã mundial sem kimono e quatro vezes campeã panamericana, campeã panamericana sem kimono, duas vezes campeã europeia, campeã do Asian Games e campeã do Abu Dhabi World Pro

Quando o esporte entrou em sua vida e o que ele significa para você?

O Jiu Jitsu veio na minha vida há dez anos, quando eu tinha 8 anos de idade, em 2010. Esse esporte significa muito para mim porque tem me ensinado a ser uma pessoa melhor, não apenas no tatame, mas principalmente fora dele. Me tornei mais confiante, sociável, disciplinada, e aprendi a importância de trabalhar. Também sou grata a esse esporte por me unir ainda mais à minha família, e todos também treinam. Esta foi uma maneira ótima que encontramos de nos conectarmos e para eles entenderem o que eu preciso passar para alcançar os meus sonhos. 

O Jiu Jitsu foi seu primeiro esporte de competição? 

Não, porque cresci praticando esportes. Eu pratiquei tee ball, ballet, futebol, luta olímpica, caratê, judô e agora Jiu Jitsu. Eu sempre fui muito competitiva em relação aos esportes. 

Já há muito tempo o Jiu Jitsu deixou de ser um esporte masculino; você enfrentou algum tipo de preconceito ou impedimento para iniciar nessa arte marcial?

Sim, acho que as mulheres têm de trabalhar o dobro para ganhar as mesmas oportunidades. Nós mulheres trabalhamos tão duro ou ainda mais do que os homens, e mesmo assim não temos as mesmas oportunidades. E é por isso que planejo mudar isso. Espero que eu possa me tornar uma influência para mais mulheres treinarem e trabalharem duro. Assim, poderíamos ter as mesmas oportunidades, com premiações e patrocínios. 

Quando sentiu que podia alcançar um nível mais profissional?

Por volta dos 12 anos de idade, senti que poderia fazer Jiu Jitsu em nível profissional. Eu gostava de treinar e via grandes resultados. Então, pensei em fazer disso a minha carreira. 

Como é sua rotina de treinos e cuidados com a saúde?

Treino três por dia Jiu Jitsu, mais um treino de técnicas, preparação física, dou aula para crianças e estudo. Faço técnicas às 7h, treino de competição às 8h, aula fundamental de academia às 9h30 e depois disso, antes de dar aulas, estudo. O resto do dia é assim: dou aula as 15h, malho as 16h30 e faço outra aula fundamental da academia às 18h.

Qual seu conselho para quem pretende e sonha com uma vida no nível competitivo?

Para aqueles que querem uma vida de competições no esporte, recomendo perseguir seus sonhos e nunca parar. Às vezes, as coisas não vão dar certo, mas isso não significa que você deve desistir. Isso deveria apenas motivá-lo a fazer ainda melhor. 

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