GEEKDOM | A sagacidade feminina na investigação criminal

Por Deborah Peleias

POR DEBORAH PELEIAS

Muito antes de Catherine Willows e Sara Sidle invadirem o universo masculino da investigação criminal científica, houve uma mulher que enfrentou a sociedade opressiva da Nova York de 1897. O nome dela? Sara Howard.

Vivida pela excelente atriz Dakota Fanning, Sara Howard ganhou o protagonismo na segunda temporada de The Alienist, disponível no Netflix, com todo o mérito. Ela é brilhante desde a primeira temporada, e supera a sagacidade dos dois personagens que seriam os principais: o médico psicanalista Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl) – o alienista do título – e o jornalista John Moore (Luke Evans). A personagem de Dakota passa de simples de Theodore Roosevelt e a primeira mulher empregada pelo Departamento de Polícia de Nova York à primeira mulher detetive da história dos Estados Unidos. Sara Howard existiu e se chamava Isabella Goodwin.

As duas temporadas de The Alienist são baseadas em livros de Caleb Carr, e muito além de mostrar a sociedade nova-iorquina no final do século 19 – desumana, indiferente e sombria – faz um retrato interessante do abuso às mulheres e aos pobres. Na primeira, Sara, Kreizler e Moore investigam o assassinato em série de meninos pobres que se prostituem. Já a segunda começa com uma sequência extremamente forte: a execução da primeira mulher em cadeira elétrica acusada de ter assassinado a filha recém-nascida.

Aliás, recomendo essa série principalmente pelos caminhos que a segunda temporada nos leva: questões que à época eram provocativas, mas que ainda vigoram dois séculos depois, como a corrupção nas instituições governamentais, a desigualdade de renda, o sensacionalismo da mídia e principalmente sobre o papel das mulheres na sociedade, seus direitos e anseios pessoais e profissionais. Os diálogos são extremamente sexistas, e são rebatidas com sabedoria pela sagacidade de Sara Howard.

Na questão cenográfica e de figurino (o guarda-roupa de Dakota Fanning é maravilhoso), a temporada 2, intitulada “Anjo da Escuridão”, recria a Nova York dos anos 1800 com uma riqueza infindável de detalhes. A desenhista de produção Ruth Ammon escolheu Budapeste para recriar alguns locais da Big Appel, como a Rua Hudson, no Greenwich Village.

Sobre a trama, “Anjo da Escuridão” tem como vilão uma mulher que sequestra bebês, e por conta disso há incontáveis mortes chocantes, e enquanto tenta descobrir é o sequestrador, Sara enfrenta perdas pessoais, confrontos de extremo risco com homens do bem e do mal, e reviravoltas que nos surpreendem.

Excelente programa para o fim de semana prolongado!

Sherlock Holmes e sua irmã detetive

Ninguém sabia, até que Enola Holmes chegou ao Netflix, que o maior detetive da história ficcional tinha uma irmã caçula; sim, e seu nome é Enola. O filme, baseado na série literária homônima de Nancy Springer e dirigido por Harry Bradbeer, mostra Enola em busca da mãe que desapareceu da noite para o dia, contrariando os seus dois irmãos mais velhos: Sherlock, já um famoso detetive, e Mycroft, um burguês arrogante e de mente pequena.

Em sua busca, Enola se revela uma ótima detetive, e em alguns aspectos melhor até que o irmão famoso. A protagonista Enola é vivida pela atriz Millie Bobby, de Stranger Things, e Henry Cavill interpreta Sherlock. Só por esses dois nomes já vale arriscar assistir ao filme, que combina muito bem com uma tarde de feriado.

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