Histórias de vida: Picadinhas de amor

Por Revista AMORA

Dando continuidade às histórias de mulheres que passaram por essa experiência de fertilização, contamos hoje a da Claudia. Acompanhe e emocione-se junto com a Amora

Por Claudia Breve

Me casei perto de fazer 31 anos, após um ano e dez meses de casada iniciei as tentativas para engravidar, mas só após dois anos e seis meses procurei por um especialista em reprodução humana que de imediato acompanhou meu ciclo menstrual, uma vez que era bem desregulado, e para nossa surpresa e alegria engravidamos neste início de investigação através do procedimento chamado “coito programado”. Não usamos nenhum medicamento, tudo foi acompanhado através de ultrassons e exames de sangue para descobrir quando seria meu período fértil. Engravidei no 32º dia do ciclo!

Perto de entrar na 7ª semana de gestação sofri um aborto, após 40 dias engravidei novamente e sofri mais um aborto. Como eu já estava sendo acompanhada por um especialista, ele já quis pesquisar o motivo das perdas e descobrimos que tenho Polimorfismo da Enzima Metileno Tetrahidrofolato Redutase – MTHFR 1298C Homozigótica. Ocorre que, em média, 40% da população possui este gene e a maioria não tem conhecimento porque nada ocorre na vida delas, então, alguns especialistas entendem que não se trata de trombofilia quando ele é encontrado de forma isolada. Porém, em alguns casos específicos é tratada como trombofilia, uma vez que as decisões médicas nem sempre são baseadas somente em exames, mas também no estado clínico da paciente e no histórico familiar. Minha mãe em sua primeira gestação sofreu com uma morte fetal aos 8 meses de gestação, e eu tive restrição de crescimento, as duas situações se enquadram como trombofilia. Então, meu obstetra e o outro especialista que estava me acompanhando na época entendeu que seria viável, como uma forma de prevenção, eu usar enoxaparina (anticoagulante) desde o início da gestação e mais alguns dias após o parto, mas ciente que eu poderia sofrer um outro aborto devido a qualquer outro motivo que seria investigado depois. Após a busca para descobrir o motivo das perdas, comecei a cuidar da minha saúde, procurei uma nutricionista especialista em infertilidade, suplementei algumas vitaminas, como por exemplo a vitamina D que estava muito baixa, o que coopera para que ocorra abortos também. Eu sou muito alérgica e estava sofrendo também um processo inflamatório devido à farinha branca, e voltei a praticar exercícios, após tomar essas medidas, meu ciclo menstrual passou a ocorrer todo mês. Quando eu me senti preparada para voltar as tentativas, engravidei de forma natural.

Foto: arquivo pessoal

Engravidei aos 38 anos. Foram 252 “picadinhas de amor” diárias na barriga.

Apesar de ser uma gestação de risco, a Helena sempre esteve muito bem durante todo o período. Foi muito doloroso passar por este processo, pois além das nossas angústias e medos, é um processo muito solitário. Não é com todas as pessoas que você pode compartilhar, pois a maioria só sabe falar frases formadas, como por exemplo: “desencana que engravida; é coisa da sua cabeça; ah, você é muito encanada, …”. Outras pessoas não dão a mínima importância para a sua dor e fazem piadas, cobranças, questionamentos, outras acham que é besteira você procurar por um profissional porque no momento certo acontecerá, e outras simplesmente não se importam, não que elas tenham que carregar nossos problemas, mas falta muita empatia. E outras simplesmente estão ocupadas com a maternidade, vivendo outro momento, porque nesta fase praticamente todas as suas amigas engravidaram, menos você, e para onde você olha, só enxerga grávidas.

Sugiro que neste momento você exercite a sua fé em Deus, faça acompanhamento com terapia, e procure um especialista em reprodução humana para te auxiliar e mostrar os caminhos a serem seguidos. Para mim foi de extrema importância. Muitas pessoas pensam que a primeira coisa que o especialista irá fazer é sugerir a fertilização in vitro, mas não, antes existe um estudo com o casal através de vários exames, histórico familiar, para aí sim começarem a caminhar para os procedimentos necessários. Para quem tem plano de saúde, o plano cobre a maioria dos exames, inclusive a consulta com o especialista. As injeções de enoxaparina eu consegui todas pelo SUS.

Foto: arquivo pessoal

Casais, se este é o sonho de vocês, não deixem de ir em busca dele, mas não demorem. Se pretendem ter filhos, mas não agora, sugiro que façam os exames específicos com o especialista para saber como está a saúde de vocês, inclusive os que envolvem a fertilidade do casal. Mulher, não deixe de pesquisar sobre a sua reserva ovariana o quanto antes!

E busquem sempre por informações concretas, com pessoas que entendam do assunto, não baseadas em histórias de outras pessoas, pois cada caso é um caso.

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