AUTO MEDICAÇÃO | Cuidado que: o perigo vem com bula

Por Revista AMORA

É cada vez maior o número de pessoas que se automedicam e, pior ainda, medicam os outros. As consequências variam muito: desde nenhum malefício até a morte. pois é, nem tudo é tão inofensivo quanto pensamos.

A cabeça doeu e lá vem a mãe, o primo ou a vizinha com um remédio milagroso. Se a rinite atacar, daí um amigo, professor ou conhecido têm outra sugestão de “tirar com a mão”. A automedicação é um perigo para a nossa saúde e o médico João Stein Kannebley afirma que aproximadamente 20 mil pessoas morrem por ano vítimas da automedicação somente no Brasil, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma).

Kannebley é especialista em cirurgia pediátrica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica e mestre em Genética Médica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e garante que os principais riscos são intoxicação por dose errada, tratamento incorreto ou atraso no tratamento de alguma doença passível de cura, se diagnosticada e tratada pelo médico e dependência de medicação.

A automedicação é a utilização de medicamentos por conta própria ou por indicação de pessoas não habilitadas para o tratamento de doenças, mas sem a prévia avaliação de profissionais de saúde (médico ou dentista). “Isso não deveria ocorrer, pois, em muitos casos, o sintoma é semelhante ao de outra pessoa ou doença, mas pode significar uma doença que ainda não foi diagnosticada”, afirma o médico.

A automedicação é muito arriscada, mas mesmo assim é comum que mães utilizem um medicamento que “foi bom para o filho da vizinha” ou que voltem a usar o medicamento do ano passado, que era indicado pelo médico, que o julgou útil naquele momento. “Em todas estas situações, as crianças estão em risco, seja pela dose errada ou mesmo diagnóstico totalmente diferente do feito pela mãe.”

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) constatou que 76% das pessoas utiliza medicamentos com base na indicação de vizinhos, familiares e colegas. A dose é, geralmente, determinada pelo próprio usuário com grande chance de erro. “O principal cuidado é não tomar medicamentos por conta própria ou orientado por alguém não habilitado”, destaca Kannebley.

Os mais perigosos

Os analgésicos, antitérmicos e anti-inflamatórios representam as classes de medicamentos que mais intoxicam. Muitos medicamentos, como antieméticos, ansiolíticos e alguns anti-histamínicos, podem causar sonolência e dificuldade de atenção, podendo, desta forma, levar a um prejuízo no desempenho escolar e também acidentes. Os sinais de intoxicação são vômitos, dores abdominais, dificuldade respiratória até convulsão e morte. “A maneira correta de agir é acionando o serviço de emergência, achando a bula ou caixa do medicamento e, se possível, colocar a pessoa afetada deitada de lado, se estiver inconsciente, para evitar que aspire secreções ou vômito”, explica o médico.

Cuidado com a propaganda

A força de muitos medicamentos está na propaganda, que veiculada de forma intensiva induz e incentiva o uso de medicamentos que, muitas vezes, não são indicados para aquela necessidade. “Além disso, as propagandas supervalorizam os benefícios dos medicamentos e não evidenciam seus efeitos colaterais e os riscos à saúde”, destaca o especialista. É importante entender que qualquer medicamento pode provocar reações alérgicas ou efeitos colaterais mesmo quando prescrito por médico ou dentista, e por isso qualquer sensação ou sintoma diferente do que motivou a consulta ao médico já deve ser motivo para uma reavaliação.

O principal cuidado é não tomar medicamentos por conta própria ou orientado por alguém não habilitado.” João Stein Kannebley, médico

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