AUTISMO | O SILÊNCIO DOS INOCENTES

Por Revista AMORA

O desafio de compreender e cuidar de filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Falar deste transtorno sem tê-lo vivenciado é um terreno muito perigoso. AMORA conversou com Naira Modelli, de 38 anos, mãe de Antonio Modelli Traina, de 8 anos, diagnosticado com TEA aos 3 anos para poder passar informações básicas que auxiliem outros pais a enfrentar este desafio.

Como você detectou que seu filho tinha transtorno do espectro do autismo?

Aproximadamente aos 2 anos, houve suspeita da escola de algum déficit de audição pois ele não falava e quando era chamado por vezes não atendia. Então buscamos avaliação com a fonoaudióloga Sara Capucci, e em paralelo procurava me informar sobre alguns comportamentos atípicos que ele apresentava como não socializar com os colegas da sala de forma efetiva, não apontar, não pedir, e por ser um pouco mais agitado.

Quais foram as primeiras decisões que você tomou ao descobrir que ele tinha TEA?

Após buscar a avaliação fonoaudiológica, e já com maiores suspeitas por alguns marcos do desenvolvimento não estarem sendo atingidos, fomos a uma neuropediatra em Piracicaba, dra. Déborah Kerches, que de imediato suspeitou de autismo leve. Desde então iniciamos o processo de avaliação através de equipe multidisciplinar e por volta dos 3 anos tivemos o laudo de autismo moderado, cuja escala seria leve – moderado – severo.

Como é o desenvolvimento dele desde então?

Até hoje, e desde antes do diagnóstico, ele foi acompanhado por diversos profissionais, de acordo com a necessidade que apresentava: Sara Capucci (fonoaudiologia), Hérika Godoy (terapia ocupacional), Nayá Caparroti (psicologia), Danielle Brites e Bruna Bin (psicomotricidade), Aline Secco Buchidid (psicopedagogia), Camila Cerri (psicologia com ênfase em ABA) e dr. Renato Natalino (neurologia). Prezamos por tentar oferecer a ele terapias que estimulem a autonomia, para que possa ser o mais independente possível. Hoje, ele já se expressa de forma muito mais objetiva e todas as intervenções que citei foram cruciais para seu desenvolvimento.

Como é o dia a dia dele na escola, ao brincar etc. O que vocês mais gostam de fazer juntos?

A escola é um desafio. Crianças com autismo geralmente têm um tempo de concentração curto, porém segue acompanhando a classe com algumas atividades adaptadas pela professora Melissa e também conta com o auxílio de sua monitora Aryele. Ele adora brincar, principalmente com a irmã, Nina, que já conhece suas preferências e o entende do jeito que é, além de ensiná-lo muito. Adoramos viajar, e sempre que podemos vamos conhecer novos lugares juntos.

Quais conselhos você dá para as mães leitoras de AMORA em relação a este transtorno?

É importante esclarecer que o Transtorno do Espectro Autista não é uma doença, e, sim, um transtorno do desenvolvimento em nível cerebral. Não importa o nível em que a criança esteja, os cuidados devem se dar de acordo com suas necessidades específicas, pois nenhum autista é igual ao outro, porém tem todas as chances de se desenvolver da melhor maneira possível se for estimulado e bem assistido desde cedo. Intervenção precoce e amor são os melhores presentes que os pais podem oferecer aos filhos. É sim um caminho diferente, mas proporcionalmente aos desafios diários, há também muitas alegrias, um amor verdadeiro, imensurável e incansável!

Caso haja dúvidas sobre autismo, há na cidade o Grupo Família Autista de Rio Claro, hoje com cerca de 60 famílias, presidido pela amiga Thaís Lopes, em que as pessoas podem tirar dúvidas ou até mesmo participar de palestras.

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