ABUSO SEXUAL | É PRECISO FALAR SOBRE O TEMA COM URGÊNCIA

Por Deborah Peleias
Por Deborah Peleias

Lançada em outubro de 2020, a 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que a violência de gênero parece não dar uma trégua: no primeiro semestre do ano passado (baseado no levantamento do Anuário, a partir de informações das Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social de cada estado), o Brasil registrou um total de 25.469 estupros e estupros de vulnerável – e o número pode ser bem maior devido à subnotificação, isto é, a maioria dos casos não é denunciada.

Figura ilustrativa

A edição de 2020 mostra que um crime de estupro foi registrado a cada 8 minutos em 2019: foram 66.123 boletins de ocorrência de estupro e estupro de vulnerável registrados em delegacias de polícia, e a maior parte das vítimas é do sexo feminino —cerca de 85,7%. Em 84,1% dos casos, o criminoso era conhecido da vítima: familiares ou pessoas de confiança.

Os números são tão alarmantes, que mesmo a equipe responsável pelo Anuário demonstra desalento em seu editorial, que diz: “Ao olharmos retroativamente para o cenário que efetivamente se desenvolveu, podemos perceber que as previsões mais pessimistas não se concretizaram. Porém, infelizmente, é fato que o Brasil perdeu, entre 2019 e 2020, uma grande oportunidade de transformar a tendência de redução das mortes violentas intencionais observada entre 2018 e meados de 2019 em algo permanente e que servisse de estímulo para salvar ainda mais vidas. O Brasil perdeu-se em múltiplas narrativas políticas em disputa e a população, mais uma vez, está tendo que lidar com os efeitos deletérios e perversos de um modelo de segurança pública obsoleto e que até hoje não foi palco de grandes reformas, mesmo após a Constituição de 1988”.

Imagem ilustrativa

Este cenário provavelmente é muito assustador se levarmos em conta a extensão do território brasileiro, cuja maior riqueza e políticas sociais estão concentradas nos estados do Sudeste e do Sul. E se avaliarmos a região em que moramos, veremos que a cultura do estupro também é uma realidade em Rio Claro. Uma reportagem publicada no jornal Diário o Rio Claro, em 15 de novembro de 2020, mostra que, “segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, o município registrou oito casos de estupro somente em setembro, sendo sete deles contra vulneráveis. De janeiro até setembro a cidade contabiliza 32 casos de estupro”.

Você também vai gostar

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.