Taesa, Klabin, Santander: entenda por que a isenção de IR em ações não vale para elas

A Isenção do IR e Seu Funcionamento

A isenção do Imposto de Renda (IR) para vendas de ações até R$ 20 mil por mês se configura como um benefício financeiro significativo para os investidores. No entanto, é fundamental entender que essa isenção não se aplica a todos os tipos de ativo, especialmente às chamadas units. Essas unidades, embora possam parecer similares às ações, na verdade representam uma composição de diferentes papéis dentro de um único certificado, o que altera sua categorização tributária.

O que São Units e Como Funcionam

As units são pacotes que agrupam ações de uma única empresa. Por exemplo, uma unit da Taesa (TAEE11) pode incluir ações ordinárias (TAEE3) e preferenciais (TAEE4). Já a unit do Santander (SANB11) integra tanto uma ação ordinária (SANB3) quanto uma preferencial (SANB4). O mesmo se aplica à Klabin (KLBN11), que combina uma ação ordinária (KLBN3) e quatro preferenciais (KLBN4). Esses certificados oferecem aos investidores direitos sobre os ativos incluídos, como dividendos e direito de voto, mas não são tecnicamente consideradas ações.

Razões Pelas Quais a Isenção Não se Aplica

A razão pela qual a isenção de IR não é prevista para vendas de units está enraizada no que estabelece a Lei 11.033 de 2004. Segundo a legislação, a isenção foi especificamente criada para ações, o que significa que não se estende automaticamente a outros valores mobiliários, como as units. Assim, mesmo sendo economicamente vantajoso ter uma exposição às ações dentro das units, o tratamento para fins tributários é distinto, levando à ausência de isenção nessa modalidade.

isenção de IR

Impacto da Lei 11.033 de 2004 nas Ações

Este contexto legal reflete a sua aplicação restrita, com uma nuance importante: enquanto as units representam um certificado lastreado em ações, as ações em si são a representação direta do capital das empresas. Isso resulta em uma interpretação legal que não permite a extensão da isenção de IR para as units, independentemente do contexto econômico que possa estar atrelado ao investidor na compra das mesmas.

Limites de Venda e a Isenção de IR

Os R$ 20 mil referem-se ao valor total da venda de ações em um mês, e não ao lucro obtido. Portanto, um investidor deve ficar atento ao total vendido mensalmente para determinar se terá direito à isenção. Caso as vendas superem esse montante, a isenção não se aplicará ao ganho líquido, fazendo com que o investidor tenha que pagar o imposto sobre o lucro obtido nas operações.

Considerações sobre a Atualização do Limite

É digno de nota que o limite de R$ 20 mil se manteve inalterado desde 2004, o que em termos de correção monetária reduz consideravelmente seu valor real. Se fosse ajustado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse limite corresponderia a aproximadamente R$ 76.943. Portanto, o limite vigente não reflete adequadamente as condições econômicas atuais, tornando a regra obsoleta em certo aspecto e reduzindo seu alcance prático para os investidores contemporâneos.

O Custo Real das Ações e Units

Todo investidor deve considerar o custo envolvido na aquisição de ações e units. Na prática, as units podem oferecer maior liquidez, o que otimiza as transações no mercado, mas não garantem uma vantagem em termos de rentabilidade. Na verdade, investir em ações separadamente pode ser uma estratégia mais vantajosa para quem busca a isenção do IR, visto que as units limitam essa possibilidade devido ao seu status como certificados.

Erros Comuns na Declaração de IR

Muitos investidores cometem erros ao declarar o IR, especialmente no que tange às units. É crucial entender que o imposto só incide nos lucros obtidos nas vendas. Se um investidor vender uma unit e não houver ganho, não será necessário pagar imposto. No entanto, caso haja lucro, o mesmo deve ser calculado subtraindo o custo de aquisição e as despesas operacionais permitidas. Minimizando erros, a utilização da DARF com o código 6015 é uma prática recomendada, e deve ser realizada até o final do mês seguinte ao da operação.

Planejamento Tributário para Investidores

Um planejamento tributário adequado pode maximizar os benefícios financeiros obtidos com investimentos. Compreender as particularidades da tributação sobre ações e units pode permitir que o investidor estruture sua carteira de forma a minimizar a carga tributária. Esse planejamento deve considerar tanto os limites de vendas quanto o impacto das operações em dia, com a correta declaração das vendas e dos ganhos.

Vantagens e Desvantagens de Investir em Units

As units possuem algumas vantagens, como maior liquidez e menor spread nas transações, possibilitando compras e vendas mais eficientes. Contudo, para pessoas que pretendem lucrar com vendas mensais de até R$ 20 mil, a aquisição de ações separadas pode ser uma alternativa mais rentável, pois acena à isenção tributária. É essencial comparar as condições de mercado, taxas de compra e venda, e as configurações tributárias que podem impactar diretamente o resultado financeiro do investimento.”